“A ideia da reforma tributária é que o valor do imposto seja único, em torno de 27%. Mas se partimos de pontos diferentes, alguns setores podem ter pouca alteração, enquanto outros podem ter redução ou aumento, como seria o caso do setor de serviços, no qual estão inseridas muitas empresas de tecnologia.”
Frederico Matias Bacic, economista e CFO da Triven

Com a reforma tributária em vigor desde janeiro de 2026, empreendedores seguem adaptando suas empresas ao novo cenário fiscal. Quando se fala do setor de tecnologia, é necessário compreender como as novas regras tributárias afetam esse tipo de negócio e como se preparar.

O impacto pode ser percebido em diferentes composições tributárias. O setor de serviços, no qual se enquadram muitos negócios de tecnologia, pode registrar aumento de até 189% na carga tributária.

Cenário da reforma tributária brasileira

A transição para o novo sistema tributário começou em 2026 e seguirá até 2032, período em que os tributos antigos e os novos coexistirão gradualmente.

A primeira fase da reforma já está em vigor e prevê a entrada em operação do IVA Dual — CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) — de forma demonstrativa. Isso significa que as empresas já precisam emitir notas fiscais com destaque para os novos tributos, embora ainda não exista cobrança definitiva nem recolhimento obrigatório nesta etapa.

Além disso, a Lei Complementar nº 214/2025 trouxe regras específicas para regimes diferenciados e reduções de alíquota para determinadas atividades intelectuais e técnicas, o que pode representar oportunidades de planejamento tributário para o setor de inovação.

Impactos da reforma tributária para empresas de tecnologia

Dependendo da estrutura operacional, composição de fornecedores e do regime tributário atual do negócio, os preços, a margem operacional e a competitividade podem sofrer alterações.

Frederico Matias Bacic, economista e CFO da Triven, destaca que a reforma é positiva do ponto de vista da simplificação tributária, mas reforça a necessidade de analisar seus impactos de forma estratégica.

“A reforma é importante e bem-vinda, só temos que pensar no que queremos para o futuro e ter cuidado para não continuarmos focando apenas em setores que produzem commodities. Precisamos ser mais estratégicos”, enfatiza Bacic.

A redução da complexidade tributária tende a trazer benefícios, como maior previsibilidade, segurança jurídica e redução de custos operacionais para empresas com estruturas fiscais mais robustas.

Estratégias de redução: regimes diferenciados e alíquotas menores

A reforma tributária abre espaço para estratégias de redução da carga fiscal por meio dos regimes diferenciados. A LC 214/2025 prevê redução de 30% nas alíquotas de IBS e CBS para profissões intelectuais de natureza científica, técnica ou tecnológica.

Para as software houses, isso pode representar uma oportunidade de diminuir o impacto do IVA Dual. No entanto, o benefício exige atenção na estrutura societária e na comprovação das atividades exercidas:

  • Quem pode se beneficiar?

A redução pode ser aplicada a profissionais regulamentados que atuam diretamente na atividade técnica da empresa, como engenheiros de software e outros especialistas da área tecnológica que também sejam sócios do negócio.

  • O que muda na prática?

Sem planejamento, a carga do IVA Dual pode ficar próxima da alíquota modal estimada em cerca de 26,5%. Com o enquadramento correto no regime diferenciado, essa carga pode cair para aproximadamente 18,5%.

  • Como funciona a segurança jurídica?

O benefício não é automático. É preciso comprovar com documentos que os sócios exercem atividades técnicas e científicas ligadas aos projetos desenvolvidos.

Além disso, contratos sociais com foco excessivo em atividades administrativas, comerciais ou de gestão podem comprometer o enquadramento e gerar riscos fiscais futuros.

  • Qual é o papel do planejamento tributário?

Diante desse cenário, revisar a estrutura societária e destacar formalmente a natureza técnica da prestação de serviços passa a ser uma estratégia importante. Mais do que reduzir tributos, o objetivo é construir um modelo com maior segurança jurídica e alinhado às novas regras da reforma tributária.

As oportunidades da reforma para o setor de tecnologia

A reforma representa um passo importante para simplificar o sistema tributário brasileiro e aumentar a transparência na arrecadação. No entanto, seus impactos sobre setores estratégicos, como o de tecnologia, ainda exigem atenção, planejamento e adaptação.

As empresas de tecnologia precisam revisar modelos operacionais, relação de fornecedores, estruturas societárias e estratégias tributárias para manter a competitividade e a segurança jurídica no novo cenário fiscal brasileiro.

Para saber mais sobre o tema, assista ao Webinar Reforma tributária: como preparar a sua empresa para o novo cenário fiscal.

Frederico Bacic

CFO na Triven