“A liderança empresarial atravessa uma fase de transição profunda. Nos últimos anos, as demandas sobre quem ocupa cargos estratégicos deixaram de se basear apenas na capacidade de comando e controle para valorizar habilidades mais sutis, relacionais e adaptáveis.”
Marcus Vaccari, sócio e board member da Triven

A digitalização e a consolidação do trabalho remoto trouxeram novas percepções para as lideranças organizações. Outros fatores estruturais também colaboram com esse cenário, como:

  • O amadurecimento das novas gerações no mercado;
  • A descentralização de processos;
  • O crescimento da diversidade nas equipes;
  • A velocidade com que as mudanças precisam acontecer nas empresas. 

Construir em conjunto, agir com autenticidade e sustentar a cultura organizacional, mesmo em meio às transformações, são competências essenciais para as lideranças.

O perfil da liderança organizacional

Como formar líderes preparados para os desafios do trabalho moderno? Quais características eles precisam ter para engajar sua equipe?

Algumas habilidades passaram a ter um valor ainda maior na atuação da liderança organizacional, como: visão estratégica, autenticidade de conduta, escuta ativa e inteligência emocional. 

Apesar das mudanças, é possível perceber que os fundamentos continuam os mesmos — porém, aplicados de forma totalmente diferente. Confira:

  • Ao mesmo tempo que a comunicação deve ser clara, também é preciso ouvir e dar abertura aos integrantes do time.
  • É preciso ser empático, mas não se pode abrir mão de decisões difíceis.
  • É importante ser inspirador, mas também entender o momento certo de compartilhar as responsabilidades. 

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Boas práticas de liderança 

1. Tenha uma comunicação clara

O ruído pode ser ainda maior quando a empresa adota modelo híbrido ou remoto de trabalho. A comunicação é, portanto, ainda mais estratégica para uma liderança organizacional eficaz. 

É preciso transmitir informações com clareza, construir alinhamento, promover compreensão mútua e manter a equipe engajada mesmo a distância. 

2. Confie e dê autonomia

Quando falamos do trabalho remoto, é fundamental construir uma relação pautada na confiança. Oferecer apoio, delegar responsabilidades e desenvolver a autogestão de quem faz parte do seu time é necessário.

E isso só é possível quando há confiança mútua, uma dinâmica que demanda tempo e deve ser cultivada com consistência. 

3. Saiba cuidar das pessoas

A distância física não deve ser um impeditivo para criar momentos de conexões, reforçar o propósito coletivo e assegurar que cada pessoa se sinta parte do todo. 

Esse apoio torna-se ainda mais relevante diante dos efeitos do home office, como esgotamento, dificuldade de desconexão e sentimento de invisibilidade.

4. Oriente o time de acordo com as metas de negócio 

Já não faz mais sentido monitorar a presença ou as atividades — na verdade, o que é importante são os resultados e o alinhamento com os objetivos estratégicos da empresa.

É necessário definir metas claras, estabelecer critérios justos e utilizar ferramentas que acompanhem a performance de forma construtiva. É sobre orientar, não sobre medir. 

Conclusão

É possível perceber que a necessidade do desenvolvimento contínuo das lideranças organizacionais deixou de ser opcional. Os gestores necessitam, cada vez mais, analisar seu próprio perfil de liderança e a forma como conduzem e orientam suas equipes, identificando quais são os pontos fortes e quais habilidades precisam ser desenvolvidas.

Não há um caminho único para aprender os novos fundamentos da liderança organizacional. Programas de capacitação, experiências práticas, mentorias, espaços para feedbacks e plataformas digitais são alternativas para construir uma jornada de aprendizado coerente com a cultura e com os objetivos do negócio. 

Confira também o nosso conteúdo sobre liderança organizacional publicado na Revista HSM

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Marcus Vaccari

Marcus Vaccari é Sócio e Board Member da Triven. Tem mais de 35 anos de experiência na gestão de Recursos Humanos, 27 deles como VP de RH na PepsiCo.