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É comum que os empreendedores só percebam a importância da gestão financeira quando enfrentam problemas como falta de caixa, atrasos em pagamentos ou dificuldade para apresentar indicadores a investidores.

Mas o financeiro vai muito além de liberar boletos e emitir notas fiscais: ele é a base para a tomada de decisão estratégica.

Organizar essa área é fundamental para garantir previsibilidade, segurança e eficiência — e o primeiro passo para isso é a realização do setup financeiro.

O que é um setup financeiro?

O setup financeiro serve para estabelecer e organizar a implementação de processos, relatórios, indicadores e controles que tornam a gestão mais confiável e alinhada aos objetivos do negócio.

Sem essa estrutura, as decisões ficam baseadas em suposições e a empresa pode ter prejuízos e perder eficiência e credibilidade.

O passo a passo para o setup financeiro

1. Imersão e diagnóstico

O primeiro passo para organizar as finanças é ter clareza sobre o negócio. É preciso conhecer a origem, o cenário atual e o futuro desejado. Perguntas sobre os objetivos da empresa e como funciona a rotina do departamento financeiro ajudam a guiar essa etapa.

Além disso, são mapeadas as seguintes informações:

  • Bancos;
  • Sistemas e plataformas;
  • Os profissionais responsáveis por cada tarefa do financeiro;
  • Nível de automação;
  • Como é feita a organização dos arquivos e dos registros;
  • Balancete e DRE (Demonstração do Resultado do Exercício) contábil.

Esses dados são fundamentais para estruturar a gestão financeira, definir prioridades e atuar de maneira estratégica.

2. Avaliação e definição do ERP

Contar com um sistema de gestão é essencial para assegurar a conformidade e a confiabilidade das informações financeiras. Nessa fase do setup, surgem dois cenários:

O ERP já está implementado:

É preciso verificar se os dados estão atualizados, conciliados e categorizados de forma correta (despesas em categorias de despesas, custos em categorias de custos).

Empresa ainda não tem ERP:

É necessário definir qual ferramenta será adotada. A implantação envolve os seguintes procedimentos:

  • Cadastro de contas bancárias, saldos iniciais de cada banco, plano de contas/categorias, Centro de Custos, clientes e contratos de recorrência, fornecedores e previsão de contas a pagar e a receber.
  • Organização da base histórica de movimentações financeiras e a importação ao sistema.
  • Configuração do certificado digital para emissão automática das notas fiscais.

Saiba mais: Por que o ERP é importante desde os primeiros estágios da startup?

3. Revisão da estrutura financeira

A definição do Plano de Categorias (PdC) é um dos pontos mais importantes da gestão financeira, pois apoia a construção e a atualização do DRE e do fluxo de caixa.

Um PdC mal estruturado pode fazer com que as despesas sejam analisadas como custos — ou que os custos sejam analisados como despesas —, o que pode afetar a margem bruta. É a forma como cada entrada ou saída é classificada que garante a clareza sobre os resultados.

A revisão acontece em paralelo à configuração do ERP, já que depende da categorização dos lançamentos.

4. Criação de relatórios gerenciais

Com a nova estrutura de Categorias e Centros de Custos, é possível elaborar os principais relatórios financeiros:

  • DRE: mostra a composição de receitas, custos, margem bruta e de contribuição, EBITDA e lucro líquido, permitindo avaliar a rentabilidade real do negócio.
  • Fluxo de caixa: indica a disponibilidade financeira para compromissos imediatos, como o pagamento da folha salarial, e ajuda a planejar resgates ou aplicações.

Esses relatórios podem evitar que a empresa opere no prejuízo sem perceber ou dependa de crédito emergencial.

5. Construção do dashboard financeiro

O dashboard financeiro reúne as mesmas informações do DRE e do fluxo de caixa, mas de forma gráfica e interativa, além de concentrar os principais KPIs financeiros da empresa.

Esse recurso facilita a análise, fortalece o planejamento e apoia a tomada de decisões mais rápidas e alinhadas às metas do negócio.

Saiba mais: Dashboard financeiro: uma ferramenta essencial para auxiliar na tomada de decisão

6. Revisão dos processos financeiros

Essa etapa foca em analisar os seguintes tópicos:

  • Modelos de trabalho;
  • Interações entre as áreas;
  • Rotinas de controle financeiro;
  • Governança e compliance;
  • Processos de faturamento, contas a pagar e a receber;
  • Fluxo de caixa e datas de pagamento (clientes e fornecedores).

Com base nesse diagnóstico, é possível redesenhar processos para que sejam mais funcionais, eficientes e aderentes à operação do negócio.

7. Padronização dos controles internos

Inclui a construção de um playbook financeiro, também chamado de POP (Processo Operacional Padrão), que reúne os procedimentos operacionais, as políticas internas e as regras de controle.

Essa padronização garante que qualquer pessoa da equipe consiga assumir rotinas quando necessário, sem comprometer a continuidade das atividades — seja em períodos de férias, mudanças de equipe ou demandas emergenciais.

8. Integração com a contabilidade

A última etapa é alinhar os trabalhos financeiro e contábil. Esse relacionamento deve ser visto como uma parceria estratégica, que exige clareza sobre prazos, formatos e necessidades de entrega de cada lado.

Saiba mais: Por que a sua empresa precisa investir em governança contábil?

Contar com especialistas facilita a estruturação do setup

Implementar um setup financeiro exige tempo, conhecimento técnico e uma visão estratégica sobre o que realmente faz sentido para a empresa. Com o time de CFO as a Service da Triven, é possível ter mais eficiência, clareza e segurança na construção dessa base.

Cada uma das etapas listadas é realizada por profissionais que combinam experiência de mercado com capacidade de execução. O foco está em estruturar dados confiáveis, organizar o ERP e dar suporte contínuo à tomada de decisão dos founders.

Quer ajuda para colocar tudo isso em prática? Fale com a gente e veja como o time da Triven pode apoiar sua gestão financeira.

Imagem do post: Designed by Freepik

Everton Werlang

Gestão | PMO